Tecido
E até quando se pode esperar
Quando nada de novo acontece?
Fios, aranhas tecem.
Nenhuma forma deriva.
Nada de bom se aproxima
Nem há final que enalteça.
E se nós nos alternássemos, nas rendas,
Entre o linho e o vime.
Enquanto me calo p’ra te escutar
Fias com verbos mil fibras preciosas,
Urdes pronomes em ufanas telas vistosas,
Advérbios, sensações, cinges em filigrana,
Bordando bilros, adjectivos e emoções rodopias,
numa louca dança profana.
Baila-te a língua, nas ideias que entranças,
Fulgem-te os olhos, p’las descobertas que alcanças,
Primorosos fios de seda, tramam o teu tear,
E entre eles me enleio, bordando-me suavemente,
enquanto me calo p’ra te escutar.
Espero que tenham gostado! Espero contribuições enquanto procuro mais fazendas…
