Irei desperdiçar discursos contaminados de dados viciados com você. Mas serão dos últimos. Sinto meus sorrisos educados chegando a um final angelical e temo que para você acabem em uma curva suave e não acentuada como as asas das aves de rapina, de envergaduras e levezas capazes de alcançar as alturas. Eis aqui, no eixo que divide o meu corpo lácteo, o ponto que me define. Exatamente na altura dos meus braços latitudinais: deixo que te partam em dois ao nomear-te de envio ao desconhecido, traçando duas linhas que se cruzam em tua fronte, faço o mesmo contigo. Eu me reparto, vivo eterna em pedaços que vou pousando ao longo do rio denso que desço. Enterro aqui as folhas caducas que já me serviram de abrigo na margem das tuas pernas, nas ondas internas dos teus joelhos por onde me segurei não deixando que me arrastassem as correntezas. Sei que escondo muito bem escondida a falta de modos ao saciar minha sede e minha fome à sua mesa. E agradecida parto, levando da cabana que tivemos o que me basta para sobreviver.
