- Ele tem razão, Tomé. Tanto ele tem razão que me dói sempre que lembro, Tomé. Toma isso, faz bem. É boldo. As folhas da árvore são grandes, cheias de penugens, quase cinzas… Mas que te deu no miolo tomar tanto, Tomé? Olha o que você fez de errado agora…
Lembro como ele cabeceava sem conseguir me responder, mareado de ressaca. São os devaneios hepáticos que vêm depois dos etílicos, e nos fazem ainda pensar.
- Quando brindamos, numa pajelança sem propósito, nos esquecemos ou nos usamos da falta de lembrança e surgem as dúvidas depois que acordamos: somos aquilo que fomos quando bebemos ou somos isso que somos quando nos controlamos?
Que somos afinal, Tomé?
