Arquivo da categoria ‘Cartas que nunca serão lidas’

h1

Cárcere privado

Outubro 8, 2008

 

Somos todos feitos de noites e solidão. Se no conjunto somos iguais, é na solitude que perfazemos os nossos fantasmas e nossas proteções fictícias. Nossos demônios serão eternos anjos, nossos pés um vago rastro. Dentro da categoria das sombras que sempre nos perseguem (sei que somos loucos: achamos que sempre estão a nos perseguir) já me atrevo a sussurrar-lhes de ante-língua na qual nos encaixamos: provavelmente na de anjos sem coração. 

Procurando uma resposta e uma saída (sempre a esconder o avesso das entranhas), vivemos a provocar dúvidas e dobras no labirinto de uivos e ais onde metemos todas nossas feras e presas. Somos noite escura a farejar o alheio: perversos na solidão dos mestres e dos gênios. Nunca seremos flor por mais de algum curto espaço de tempo. Nunca apenas nuvens, tampouco universos. Fico esperando ardente e silenciosa, esperando profundamente, entretanto, que nalgum dia desses, consigamos ser eternos.