
A atriz e o palhaço
junho 10, 2011Ah, sim, foi outro dia!
Fui ao teatro e foi lá que vi
pelo canto dos olhos
uma peça!
Ah, não, não… Roubei o convite,
me escondi na coxia!
Tão bela a peça, mesmo o que ela não era foi bela!
E de tão afoita, tão plena, a atriz tão verdadeira, quase chorou.
Quase chorou… mas escondeu as lágrimas ao se distrair
com a platéia que passava.
O ator, assim, meio que sempre cheio de si, até atrás das cortinas,
Meio sem amor, era o palhaço da peça.
E atriz e palhaço apaixonaram-se sem perdão.
Todos que viam não entendiam, como podia ela, tão real
Apaixonar-se por um tolo que fazia piada de seu amor?
Ainda assim se amaram. Dos jeitos que podiam, ela foi repleta de luz! E dor.
E de cada um tiraram tudo o que mais podiam sem avisar quando viria o final.
E sem perceber a cortina se fechou: os expectadores não sabiam o que aplaudir.
E se deviam.
O teatro silencioso decidiu pelo vazio,
Pela curiosidade,
Pelo eterno.
E se levantaram em silêncio pensando no caminho de casa que podiam ter ficado mais para observar se a peça ia continuar. Ou se realmente havia terminado.