
Anônimos
março 17, 2011Eu sangro.
E eu enfio seu dedo na minha ferida.
Você não vê que eu o empurro pra perto, sequer sabe
o peso do seu punho carimbado entre meus pulmões.
As bochechas estão rosadas desse ar frio que respiramos.
Eu respiro em compassos ardidos.
Tento poupar o pouco que consigo da sobriedade que sempre tive,
E não bebi uma gota sequer daquele vinho sobre a mesa.
Não bebi nada daquele vinho barato.
Mas a sobriedade se vai, à medida que sangro.
E nunca mais empalideço.
À medida que bebo um pouco mais de você.