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Galo de Briga

Maio 29, 2009

 

Quero lhe alcançar! Quanto inferno é que vou ter que atravessar e trazer meus calcanhares em brasa ansiando lhe ultrapassar os passos largos? Os ossos em minhas mãos se contraem sem direção para sobrar, olhos agudos e mãos sempre trancadas – palminhas abertas são como as flores que ganham mocinhas. Não duvido que esses tantos sofrimentos rasos não farão jus ao meu tempo desperdiçado tentando lhe ultrapassar. Não regresso dessa viagem rumo ao nada. Não duvido que um dia eu consiga lhe desbancar de todos os seus falsos altares, irei alcançá-lo, atravessá-lo com minhas garras. São todas estas setas que trago às costas – proteção contra cupidos interesseiros – época já amarrotada aquela das garotas ingênuas que não sabiam onde é que se metiam, onde estavam se escondendo. Quero lhe alcançar, onde é que mais vou ter que ir, quanto mais vou ter que mergulhar nas esquinas da cidade? Nessa paisagem escura e cinza, quero chover-lhe um céu amarelo, quero ventar fria na sua nuca. Quero atravessar seus olhos e todos os seus pensamentos. Vou alcançá-lo. E isso, um dia, ainda me fará plena.

 

Um comentário

  1. Vai alcançar, sim, Tistu! E ficar plena!!!



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