
Desfaçatez
Julho 10, 2008
Ela disfarça olhando para baixo, e ainda consegue sustentar com o pescoço e a nuca o nó atado que quase se desenoza na garganta.
Enquanto ele fala, ela trata de olhá-lo nos olhos que ainda insistem em olhá-la de cima, coisa tão masculina e viril, talvez já não lhe sirva mais.
Ela disfarça, olhando para os lados, tudo o que não ouve, encontrando nas estátuas que de repente se movem – lacônicas – levando taças e mãos à boca e cardápios à mesa e talheres aos pratos, uma discreta distração – que ele não perceba.
E enquanto ele expõe seus motivos vazios, vazios de qualquer verdade e sentido, nas cordas vocais que insistem em timbrar fundo nos seus ouvidos – enfadados por saber da obrigação de escutar sempre as últimas sempre apenas palavras – talvez não o queira mais.
Cara, li de novo isso aqui e precebi que eles est~ao num restaurante. E quase que me vi nela.