h1

Muito cuidado

Junho 23, 2008

 

Não carece, menino dos olhos ambíguos e dos ideais obtusos,

Não carece a espera demasiada.

(sabe e bebe uma esquiva quando ela diz entredentes – “escuso…”)

Não tece, não tece nos olhos da menina teias de tortura.

Cuidado, moço ligeiro, no fundo dos olhos dela mora alguma coisa intocada.

Cuidado para não acender a luz, para não fazer sua língua armadilha falha.

Não carece escondê-la, não carece guardá-la na gaveta

Dos amarelados passados irreais,

Quiçá sufocá-la com incertezas e raras letras de criado mudo.

Não carece preservá-la da sua destreza. Mas

Não tece, não tece nos cabelos da menina teias de mentira.

Cuidado, moço ligeiro: na boca dela moram palavras caladas.

Cuidado para não acordá-la, mas muito cuidado ao acordá-la:

Nela, que dizem pura,

Nela moram muitas.

 

 

 

Deixe um comentário